Publicado por: Prof. Eugénia Gomes | 2010/03/22

APOIAR.INTEGRAR. 2010.PROMOVER. DIVULGAR.

” Atrás de cada linha de chegada, há uma de partida. Atrás de cada conquista, vem um novo desafio. Mas nunca te detenhas!”

Madre Teresa de Calcutá

    A actual sociedade multicultural colocou novos desafios ao dia-a-dia das escolas. Cada vez mais as salas de aula são o local de encontro de jovens das mais variadas origens: da casa da rua em frente à cidade distante de um outro país…

    Vêm de outros lugares. Vêm de outros sistemas de ensino.

    O pior vem depois.

    Sentados ao lado dos seus colegas portugueses arriscam-se a passar o ano incomunicáveis. Perante tais dificuldades muitos pais destes alunos acabam por aceitar, de forma resignada, o insucesso escolar dos seus filhos, mesmo sabendo que eles eram excelentes alunos nos seus países.

    O desconhecimento da língua do país de acolhimento constitui um dos maiores problemas dos imigrantes em qualquer parte do mundo. Quando não a conhecem ficam numa situação particularmente vulnerável. Obter as coisas mais simples pode tornar-se um enorme pesadelo…

    É por isso que eles procuram desesperadamente pessoas amigas que os possam ajudar a sobreviver num meio que nem sempre é muito hospitaleiro.

    A nossa escola tem feito tudo o que está ao seu alcance para promover e garantir a dignidade do Dan Munteanu, do Victor Ciornegale da Andriana Hamivka. Chegaram da Moldávia e da Ucrânia e aprender a Língua Portuguesa, no seu nível mais básico, constituiu o seu (quase único) instrumento de sobrevivência.

    É à direcção da nossa escola, a todos os alunos, funcionários e professores implicados, à biblioteca – no alargamento das suas funções nucleares à prestação deste tipo de serviço –  e à professora do apoio individual, que cabe hoje essa tarefa, às vezes de uma forma mais ou menos improvisada, de apoiar, integrar estes alunos simpáticos, motivados e positivamente expectantes.

    Uma tarefa que não é fácil.

    Todos estamos cientes de que hoje o ensino do Português poderá ser um dos mais poderosos meios no combate à exclusão social, num ano 2010 que se avizinha com essa mesma designação.

    Envolver estes jovens na promoção da sua integração e da sua cultura na nossa comunidade. Na compreensão da importância de se aceitar as suas diferentes culturas. No conhecimento mais profundo dos seus países de origem e na sua divulgação junto da comunidade educativa… são atitudes a que não podemos e não devemos nunca dar tréguas.

    Fazer a Andriana, o Victor e o Dan sentirem que não existe um nós e um eles, mas sim eles e os outros.

 A Professora Bibliotecária, Graça Coelho                       

Texto gentilmente cedido pela autora, editado em Com Pias e Cabeça, edição número 31, Dezembro 2009, Periódica.

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Responses

  1. Parabéns pela ideia. Gostei muito!
    Espero ir recebendo notícias vossas, com novidades e progressos efectuados.
    Um abraço amigo!

  2. “Em casa de pais, escola de filhos”, acreditem que os professores também aprendem com esta expressão.
    O nosso objectivo é oferecer condições equitativas para assegurar a integração efectiva dos alunos de PLNM, cultural, social e académica, independentemente da sua língua, do seu país, cultura, condição social, origem e idade.
    No ensino de PLNM, gosto sempre de realçar os objectivos específicos, onde o segredo está na manga do professor. O segredo é a alma do “negócio”. Tais objectivos considero-os como:
    – Domínio escrito e oral da língua portuguesa como língua veicular;
    – Desenvolvimento de uma progressiva autonomia pessoal no âmbito escolar e social;
    – Integração efectiva dos alunos no currículo nacional e em qualquer nível ou modalidade de ensino;
    – Promoção do sucesso educativo e desenvolvimento de uma cidadania activa e consciente.
    O ensino a alunos que têm o PLNM exige uma abordagem diferenciada relativamente ao trabalho realizado com alunos que têm o português como língua materna. Enquanto língua segunda e ainda que, em alguns casos, o português seja usado pela comunidade em que o aluno se insere, ele é primordialmente usado na escola e veículo de escolarização. Esta é uma diferença fundamental que deve nortear práticas metodológicas e avaliação.
    Assim, enquanto os objectivos do ensino a falantes de língua materna, logo desde os anos iniciais, estão centrados na reflexão metalinguística e metadiscursiva sobre produções literárias e não literárias, os objectivos do ensino de LNM devem centrar-se na compreensão e produção de unidades comunicativas.
    O uso de áudio-visuais, contos, literatura e flashcards são aspectos atractivos para um aluno se interessar e aperfeiçoar na língua que está a aprender.
    Com o esforço do professor e apoio constante, consegue-se ultrapassar de uma tarefa que não é fácil mas ao fim e ao cabo, há sempre uma recompensa gratificante por parte do aluno. Chegar ao fim e saber falar a Língua Portuguesa depois do nosso esforço e dedicação.

    Felicito a ideia e desejo bom sucesso na boa apresentação e desenvolvimento da vossa página na net.

    Alberto Martins – Sintra


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