Publicado por: Prof. Eugénia Gomes | 2010/03/23

BEM-VINDOS AO NOSSO BLOGUE

  A chegada a um País desconhecido, com diferentes hábitos, cultura, tradições é difícil… Principalmente quando não entendemos a Língua que será agora aquela que iremos ouvir todos os dias!… Então, começamos a sentir saudades. Saudades, da Família, da Escola, dos Amigos que lá deixámos… E, aos poucos, vamo-nos tentando habituar à nossa nova realidade. Afinal, ‘é para teres uma vida melhor que fizemos esta mudança’, dizem-nos os nossos Pais. Mas… se vamos conhecer uma nova realidade, por que não dar a conhecer a nossa própria realidade, aquela que nunca deixará de ser a nossa origem?

    Quando a nossa professora Eugénia falou sobre a criação de um blogue onde pudéssemos dar a conhecer os nossos Países e Tradições, onde pudéssemos partilhar as nossas experiências e trabalho que vamos desenvolvendo ao longo deste ano lectivo, achámos uma ideia fantástica! Mas… ‘Como vamos nós fazer um blogue?’ – primeira pergunta do Victor. ‘Fácil: fazemos um rascunho do que queremos colocar no blogue, pensamos em tudo o que queremos partilhar com os nossos colegas, e depois é só organizar!’ – resposta imediata do Dan. E assim nasceu esta ideia.

    Esperamos neste espaço aprender, conhecer, trocar ideias, opiniões e, acima de tudo, esperamos que se sintam ‘acolhidos’ por nós neste espaço tal como vocês nos acolheram no vosso.

Obrigada/o Escola Secundária de Lousada!

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Publicado por: Prof. Eugénia Gomes | 2010/03/22

APOIAR.INTEGRAR. 2010.PROMOVER. DIVULGAR.

” Atrás de cada linha de chegada, há uma de partida. Atrás de cada conquista, vem um novo desafio. Mas nunca te detenhas!”

Madre Teresa de Calcutá

    A actual sociedade multicultural colocou novos desafios ao dia-a-dia das escolas. Cada vez mais as salas de aula são o local de encontro de jovens das mais variadas origens: da casa da rua em frente à cidade distante de um outro país…

    Vêm de outros lugares. Vêm de outros sistemas de ensino.

    O pior vem depois.

    Sentados ao lado dos seus colegas portugueses arriscam-se a passar o ano incomunicáveis. Perante tais dificuldades muitos pais destes alunos acabam por aceitar, de forma resignada, o insucesso escolar dos seus filhos, mesmo sabendo que eles eram excelentes alunos nos seus países.

    O desconhecimento da língua do país de acolhimento constitui um dos maiores problemas dos imigrantes em qualquer parte do mundo. Quando não a conhecem ficam numa situação particularmente vulnerável. Obter as coisas mais simples pode tornar-se um enorme pesadelo…

    É por isso que eles procuram desesperadamente pessoas amigas que os possam ajudar a sobreviver num meio que nem sempre é muito hospitaleiro.

    A nossa escola tem feito tudo o que está ao seu alcance para promover e garantir a dignidade do Dan Munteanu, do Victor Ciornegale da Andriana Hamivka. Chegaram da Moldávia e da Ucrânia e aprender a Língua Portuguesa, no seu nível mais básico, constituiu o seu (quase único) instrumento de sobrevivência.

    É à direcção da nossa escola, a todos os alunos, funcionários e professores implicados, à biblioteca – no alargamento das suas funções nucleares à prestação deste tipo de serviço –  e à professora do apoio individual, que cabe hoje essa tarefa, às vezes de uma forma mais ou menos improvisada, de apoiar, integrar estes alunos simpáticos, motivados e positivamente expectantes.

    Uma tarefa que não é fácil.

    Todos estamos cientes de que hoje o ensino do Português poderá ser um dos mais poderosos meios no combate à exclusão social, num ano 2010 que se avizinha com essa mesma designação.

    Envolver estes jovens na promoção da sua integração e da sua cultura na nossa comunidade. Na compreensão da importância de se aceitar as suas diferentes culturas. No conhecimento mais profundo dos seus países de origem e na sua divulgação junto da comunidade educativa… são atitudes a que não podemos e não devemos nunca dar tréguas.

    Fazer a Andriana, o Victor e o Dan sentirem que não existe um nós e um eles, mas sim eles e os outros.

 A Professora Bibliotecária, Graça Coelho                       

Texto gentilmente cedido pela autora, editado em Com Pias e Cabeça, edição número 31, Dezembro 2009, Periódica.

Publicado por: Prof. Eugénia Gomes | 2010/03/21

Português Língua Não Materna

Numa sociedade multicultural, como é a portuguesa, o reconhecimento e o respeito pelas necessidades individuais de todos os alunos e, em particular, das necessidades específicas dos alunos recém-chegados ao sistema educativo nacional devem ser assumidos como princípio fundamental através da construção de projectos curriculares que assegurem condições equitativas de acesso ao currículo e ao sucesso educativo. 

(In Ministério da Educação, Despacho Normativo 7/2006)

 

    Em Portugal, ao longo dos anos, tem vindo a crescer e a difundir-se o número de jovens provenientes dos mais variados Países do Mundo que, quando chegam às nossas Escolas, se debatem com necessidades aos mais variados níveis: necessidades linguísticas, que se apresentam como resultado do desconhecimento total ou parcial da Língua Portuguesa; necessidades culturais, que advêm dos códigos culturais da Sociedade de acolhimento; necessidades curriculares, consequência das diferenças entre o currículo do País de origem e do País de acolhimento e necessidades de integração, resultantes das inúmeras diferenças sociais e culturais entre Países. Todas estas necessidades são consequências directas tanto para as relações interpessoais e sociais, como para a própria aprendizagem, que se apresenta como algo muito difícil e complicado de concretizar no seio de tantas transformações e alterações de uma só vez. No entanto, e adquirindo um papel mais activo, os jovens recém-chegados vêem-se forçados a ganhar autonomia e responsabilidade, longe do seu País, da sua comunidade, dos seus amigos.

    O Dan, a Andriana, o Victor e a Kaliana são quatro jovens que estão a passar por todo esse processo. E cabe à Escola, Instituição, por excelência, responsável pela igualdade de oportunidades para todos os que a frequentam, a plena integração dos seus alunos, ajudando-os a ultrapassar todas as barreiras, nomeadamente as linguísticas, tornando-as aprazíveis e úteis, pensando na interculturalidade, na troca de experiências, de conhecimentos, de aspectos culturais e tradições.

    Promover o espírito de tolerância, desmistificar estereótipos culturais e atitudes preconceituosas face a grupos étnicos minoritários, promovendo actividades de intercâmbio cultural são metas a considerar no processo de ensino do Português enquanto Língua Não Materna (PLNM). Torna-se, portanto, necessário que o professor seja detentor de um conhecimento o mais aprofundado possível do perfil de cada aluno, bem como das suas motivações para a aprendizagem do Português (percurso escolar, motivos profissionais, interesses pessoais). Como consequência, o docente deve seleccionar as linhas orientadoras do seu trabalho pedagógico, de forma pragmática, tendo como objectivo colmatar as lacunas linguísticas e culturais que os seus alunos apresentem.

    Força de vontade de aprender, espírito de coragem e persistência são elementos fundamentais que não são descurados no trabalho desenvolvido pelos referidos alunos. Que este seja o início de um percurso que contribua para a plena integração do Dan, da Andriana, do Victor e da Kaliana na nossa Sociedade.

A Professora de PLNM,

 Eugénia Gomes

in Com Pias e Cabeça, edição número 31, Dezembro 2009, Periódica

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